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Poesia: deleite-se ou delete-me (13.03.15).

 

Maraãvilhosos,

 

juntos

 

 

A respeito das fotografias que ilustram a postagem da última sexta próxima passada, um amigo ousou duvidar que retratam rua, biblioteca e livraria de Maraã!

Que ousado! Duvidar de mim!

Perguntei ao apedeuta, simplesmente, para que ele se colocasse no seu lugar, o seguinte:

- Já visitaste Maraã?!

Ele sorriu asiático, ou seja, amarelo, e eu não precisei dizer mais nada!

 

Vamos em frente:

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Carapanãs do Maraã.

 

Papai, que não era citadino, costuma dizer que a cidade transforma os bons em maus!

 

Nisso ele tinha o apoio do Rousseau, a quem ele, certamente, não conhecia, mas ia na contramão de Protágoras, um dos meus ídolos!

 

Protágoras, magistralmente, defende que a cidade ensina, educa!

 

Mas, ai, sem juízo de valor, papai concordava com ele, pois a cidade realmente ensina: o que presta e o que não presta.

 

Maraã, minha terra querida, é tão farta, vivíamos ainda na "idade de ouro", que nem precisávamos trabalhar... muito para sobreviver.

 

Peixe, carne (animais ditos selvagens) e frutos a vontade! Essa a nossa realidade.

 

Mas Maraã, talvez pela fartura, tem um mistério que até hoje, passados 50 anos, ainda não consegui entender!

 

É que quem chega para lá residir fica preguiçoso (eu diria: "farturado", prenhe pela fartura)!

 

Maraã é uma cidade que precisa ser melhor estudada. E um desses estudos deve explicar a razão pela qual pessoas que moravam nas suas proximidades, e que eram, reconhecidamente, incansáveis trabalhadoras, quando para lá se mudaram ficaram todas (a exceção é tão pouca que é melhor generalizar) preguiçosas!

 

Isso levou-me, mais tarde, a pensar num inseto que temos por lá chamado de "carapanã", a muriçoca, ou pernilongo.

 

Na sede do Município de Maraã, tem poucas carapanãs, dependendo da época o número delas cresce. Tem localidades, contudo, no próprio Município, em que as pessoas têm que jantar sob o mosquiteiro (as carapanãs só visitam os humanos à noite), caso contrário ficam a se debater e a comer carapanãs quando levam a colher à boca.

 

Algo que me chamou a atenção, desde que eu era menino mais novo, é que as carapanãs do interior (agora, se Maraã já é interior, imaginem o interior de Maraã!) se deixa abater com muita facilidade!

 

Quando elas pousam na pele de alguém, ou já estão cheias de sangue, a gente pode amassá-las lenta e suavemente com o indicador (quem não o tem pode usar outro dedo, claro!). Elas não voam! Esperam, quase que impassivamente, pela morte por esmagamento. Seriam elas estoicas?

 

Já as carapanãs da cidade são rápidas que nem as mutucas, e ambas são rápidas que nem um raio!

 

O caboclo fez menção para matá-las e elas já "picaram" a mula!

 

É muito difícil, portanto, abater uma carapanã citadina, enquanto suas irmãs interioranas...

 

Foi a cidade quem ensinou-lhes a malandragem?

 

Mas, aqui, para ser justo, não são apenas as carapanãs da cidade de Maraã que são espertas, mas as das outras cidades das redondezas também. Assim é em Manaus, Coari, Tefé, Jutaí, Tabatinga etc.

 

Essa divagação me remeteu a outros pensamentos, o qual lhes digo agora.

 

Nós, brasileiros, costumamos condenar-nos pela nossa malandragem, como se ela fosse um fruto nativo, como o açaí, mas não o é!

 

Lembro que os gregos, segundo os historiadores e fabulistas mais antigos já aprontavam e davam seus golpes nos mais incautos.

 

Nossos colonizadores, portugueses e espanhóis, além de enviarem para cá a nata da malandragem, eram e são, eles próprios, espertíssimos no passar os outros para trás. Dê um passeio nas "Ramblas" e seja assaltado ou enganado no jogo de dados e outros crimes. Ingleses e franceses nunca prestaram, somado aos holandeses e outros todos os povos.

 

E costumamos dizer: "nos países sérios"!

 

Eu desconheço esses países sérios, pois em todos que conheço, por literatura, de todos os continentes, a malandragem acompanha seus povos!

 

A única diferença deles para com o Brasil é que eles conseguiram diminuir, pela punição, o maior número de pretendentes que conseguem aplicar seus golpes. Nada mais.

 

O ser humano, nos quatro cantos do mundo, continua igual desde que foi feito!

 

Para concluir, penso que a cidade, por ser maior o número de pessoas convivendo, é mais convidativa à malandragem: aumenta o número de vítimas, inclusive para as carapanãs.

 

Até mais,

 

Abraços,

 

Osório

 

POEMEMOS:

 

Travessia

 

É a sensação de um barco que naufraga

Este passar do incerto para o certo,

O descobrir do sol quando desperto

E logo a vida que vivi é vaga.

 

Por onde andei? Que misteriosa plaga?

Muito longe talvez, ou muito perto:

Um litoral em névoas encoberto

E um perfil de paisagem que se apaga.

 

Que fio do real prende este mundo

Ao mundo que acordado tenho à vista,

Pois que em ambos respiro e me confundo?

 

Na viagem que à noite recomeça

Já qualquer coisa agora me contrista

Mas não sei se a partida, ou se o regresso.

 

e,

Litoral

 

À noite, no refúgio que me faço

Num mar de nuvens me descubro imerso,

Digo palavras tantas pelo espaço

E de cada palavra nasce um verso.

 

Se um braço estendo, já não é meu braço,

É qualquer coisa solta no universo;

Se me quero mover me despedaço

E em mim mesmo ficando estou disperso.

 

Surpreso, volto ao natural de em torno:

No quarto claro a luz me acaricia,

Tudo tem sua forma e seu contorno.

 

Daquele mar noturno enfim liberto,

Deste, na praia ao sol vem a alegria,

Posso nele saltar de peito aberto.

 

Ambos os poemas são de autoria de: Rui Ribeiro Couto.

 

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