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Poesia: deleite-se ou delete-me (16.12.16).

 

Poesia: deleite-se ou delete-me (16.12.16).

 

 Imagem   Prof. Adriano Alencar Matos Barbosa

                                                                 

    Imagem enviada pelo Professor Adriano Alencar Matos Barbosa (obrigado a ele).

Maraãvilhosos,

História/geografia de Maraã que contei a uma amiga de viagem:

Absorto, ele lembrava-se de tudo isso nas margens do Rio Naviglio, que atravessa Milão, no final da tarde, cansado depois de ter perambulado pelo Duomo (praça central de Milão), onde visitou a magnífica catedral gótica e a não menos bela Galleria Vittorio Emanuelle.

A largura e a profundidade do Naviglio chegam a ser ridículas se comparadas com as do Rio Amazonas, por exemplo, ou o Rio Japurá, pensava quando foi despertado de suas lembranças por sua amiga de trabalho e colega de viagem, Ry.

- Realmente nada é longe, tudo depende do que você adota como referencial para fazer a classificação perto-longe, disse para Ry que o olhou espantada e interrogativa.

Dia desses, tinha tido uma discussão com o Márcio em São Paulo, quando disse a esse mineiro que ele tinha vindo de Manaus-Amazonas, ao que o outro, em tom de gozação, própria de sua personalidade extrovertida, disse:

- Aquilo é o fim do mundo. É muito longe!

O que levou-o a perguntar:

- Longe em relação a quê? Manaus é mais próxima da Europa, em linha reta, de que São Paulo, portanto, está mais próxima da dita civilização, e até em Nova York se chega mais rápido, em aviões de igual velocidade, partindo-se de Manaus que de São Paulo.

Diante destes argumentos geográficos, científicos, portanto, matematicamente Márcio não teve argumentos.

Ao dizer a ela em que estava pensando, Ry perguntou:

- Mas é isso mesmo?

- Agora vem você! Gastamos dez horas de São Paulo até Milão e agora aqui na beira deste riacho, se bem que limpo, fato admirável para uma cidade industrializadíssima, vens me dizer que Maraã é longe, francamente! Parece que as grandezas tempo e espaço (distância), apesar de objetivas recebem valorações diferentes, passando a depender do ponto de vista, da subjetividade, portanto, do humor de cada um! Deixa eu te contar mais uma vez, ou melhor, te conduzir novamente a Maraã. Saindo de São Paulo, tua terra natal, num boeing que navega a 800 quilômetros por hora, quatro horas depois chega-se em Manaus. Decolando-se novamente na mesma aeronave, quarenta e cinco minutos após a decolagem, se tudo correr bem, chega-se em Tefé, este último percurso efetuado por avião é quase todo ele sobrevoando o rio Amazonas, saímos de sobre o rio por navegarmos em linha reta e ele possuir inúmeras curvas, quase que a correr debaixo para cima, formando em alguns pontos verdadeiras gotas dágua, pois o rio em muitas curvas, quase que toca nele mesmo, ou se quiser, verdadeirosS, bastante fechados. Esse trecho do rio é chamado de Solimões. Para os amazônidas o rio Amazonas é formado na altura de Manaus onde o rio Solimões encontra-se com o rio Negro, um dos seus afluentes da margem esquerda, onde ocorre o belo fenômeno do encontro das águas, ou seja, as águas negras do rio Negro, daí o seu nome, e as águas amarelas do Solimões se encontram e não se misturam imediatamente, caminham lado a lado por vários quilômetros. As águas amareladas do Solimões são chamadas pelos caboclos (oucabocos, como a maioria pronuncia)assim são denominados os que moram às margens dos rios amazônicosdebarrentas. Isso por que a água ao ser colocada em um recipiente de vidro, por exemplo, minutos depois, com a decantação, fica a lama, por ser mais pesada, acumulada no fundo do copo, podendo o observador distinguir com perfeição dois corpos diferentes (água e barro), isso por que, segundo os cientistas, o rio Amazonas é um rio novo, ainda em formação, suas margens ainda não sãodefinitivas.

- Então, o Amazonas ainda tem muito a enlarguecer! Mas, continue.

- De Tefé para Maraã não voos regulares, ou melhor, a chegada de um avião na cidade ainda é um acontecimento que a todos encanta. Aviões por somente para resgatar doentes graves ou deixar os mortos, ou quando algum político vai até a cata de votos. Portanto, o trajeto deve ser feito de barco, normalmente derecreio, como são chamados os barcos que conduzem passageiros na Amazônia, verdadeiros ônibus fluviais. Os mais ricos fazem o percurso devoadeiras/deslizadeiras, barcos pequenos equipados com motores de popa bem potentes, ou seja, lanchas; embora esse meio de transporte não seja muito aconselhável, por que a constante presença de troncos de árvores descendo os rios costumam danificar as suas hélices, a presença de tais troncos dão razão aos cientistas quando afirmam que o Amazonas ainda é um rio em formação, pois são árvores caídas às suas margens, que trazem as suas enormes raízes, agora, quase limpas do barro que as cobria. Os barcos amazônicos são de tamanhos variados, mas como são construídos de madeiras, raramente chegam a 30 metros de comprimento. De Manaus para Tefé o percurso também pode ser feito nesses barcos, existindo alguns decascode ferro, bem maiores e confortáveis. São pequenos navios. Para Maraã, como o fluxo de passageiro é pequeno, os barcos são proporcionais. Os recreios, também chamadosbarcos de linha, por ligarem pontos diversos, saem de Tefé por volta das dezoito horas, isso para que os proprietários não forneçam jantar aos passageiros, que devem embarcarcomidos, e assim o capital aumenta seus lucros. Alguns barcos são equipados com pequenos quartos, chamados de camarotes, hoje, vários, até têm ar-condicionados! O que é um luxo. Diferentemente dos navios, a área do convés, o primeiro piso do barco e o(s)passadiço(s)” – no máximo três, os demais pisos, não são todos tomados por camarotes, pois, além das áreas comuns, em especial a destinada às refeições, sempre um grande salão destinado a que os passageiros armem/atem suasredes. Alguns comandantes desses barcos exigem que homens ocupem um lado do barco com seusarmadores(ganchos para pendurar as redes e não o nome daqueles que são donos de navios) e as mulheres o lado oposto. Formando duas fileiras separadas. Como se deslocam em pequenas velocidades, duas horas após deixar o porto de Tefé, navegando pelo rio Solimões, precisa-se adentrar no rio Japurá, também afluente do rio Amazonas, situado à margem esquerda. O rio Japurá é muito parecido com o rio Negro (tem as mesmas características de PH em suas águas). Na viagem, a diversão, antigamente, era o jogo de dominó, hoje assiste-se filmes em vídeocassete ou captados por antenas parabólicas até a hora do silêncio. Outros passageiros bebem bebidas alcoólicas, outros se distraem em conversas até a hora de dormir. O consumo de álcool durante a viagem é causa de constantesquedasnágua, com alguns desaparecimentos e muitos transtornos. Ao amanhecer o dia, é servido o café da manhã: café com leite e bolachas típicas dos recreios da região, daí serem conhecidas comobolachas de recreio, sendo a manteiga, hoje margarina, um luxo, a qual é apanhada com a própria bolacha (oubulacha, como se diz por lá), sem precisar de faca. Pouco tempo após a primeira refeição, chega-se a Maraã.

- E isso não  é longe? Perguntou Ry.

- Entre Tefé e Maraã gasta-se entre 12, 18, 20 ou mais horas, tudo dependendo da potência do motor que impulsiona o barco. Ou seja, compatível com o percurso São Paulo/Milão! Maraã, a cidade, fica localizada na foz (que os nativos chamam deboca) do lago de mesmo nome. O município de Maraã tem como sede a cidade de mesmo nome, ou seja, a capital do município é Maraã. Anteriormente era localizada numa localidade denominada Jacitara, que dista uns 50 km da sede atual. Dentre os inúmeros maus costumes dos políticos brasileiros, em especial dos interioranos, quando assumem a governança, é mudar a sede de local, e com isso começar tudo de novo e ficar com a ilusão de que são os criadores de qualquer coisa. Com Maraã não foi diferente, sua sede foi removida para o local atual no início dos anos 70. Lá, portanto, dificilmente veremos catedrais góticas, como a que visitamos hoje. Não se deixa nada envelhecer! O município, que é uma divisão territorial do Estado do Amazonas, que por sua vez é uma divisão do Estado brasileiro, tem uma extensão territorial superior a de vários países europeus, juntos. Aliás, o Brasil caberia dentro de si toda a Europa.

- Inclusive a Rússia? Indagou Ry.

- E Rússia é Europa?

- Deixa prá lá, que nem eles sabem. Mas, prossiga, por favor.

- Engraçado, vendo agora, o contraste entre os países de primeiro mundo, ditos civilizados, e os de terceiro mundo, está justamente no detalhe que se pode observar aqui e comparar Milão com Maraã. as pessoas constroem suas casas com os fundos voltados para os rios, exatamente para despejarem seus dejetos nos seus leitos, pois têm a impressão, por serem as águas passageiras, que elas levarão consigo os resíduos poluentes. É certo que os levam sim, mas irão poluir o ambiente que servem aos outros que moram rio abaixo, voltando depois ao mesmo local no ciclo das águas. Aqui as construções são edificadas em sentido oposto, ou seja, é a frente das casas que ficam voltadas para os rios!

- Boa observação!

- Aliás Ry, você sabe o que são os rios, os igarapés e osfurosamazônicos?

- Não todos: sei dos rios, lembro dos igarapés, mas nada dosfuros. Pelo menos não me lembro mais. pela juventude devo ter estudado em geografia.

- Este é um dos grandes defeitos da mente humana: esquecer com o passar dos tempos! A despeito de alguns dizerem o contrário, que o esquecimento é bom, caso contrário as mulheres não tinham o segundo filho. Os rios são os cursos dáguas navegáveis e que ligam estados e/ou países entre si. os igarapés não são navegáveis, ou o são apenas por pequenos barcos, e, geralmente, nascem e deságuam dentro de um mesmo estado. São, na verdade, pequenos rios. Daí o rio Naviglio poder ser visto como apenas um igarapé amazônico. Os furos, que os rios são sinuosos, servem para ligar duas extremidades do mesmo rio, evitando, assim, que o navegante de pequenos barcos tenha que percorrer o leito natural do mesmo, economizando, assim, bastante tempo. É como fazem os pilotos de fórmula 1 quando eram a chicana. 

- E quando chegaremos mesmo a Maraã?

- estamos lá! Eu, se saí, deixei meu coração enterrado ali. Agora mesmo, estou morrendo de saudades da minha terra. Toda beleza, riqueza e imponência de Milão não vale uma gota de Maraã.

- Vamos tomar um vinho? Convidou Ry.”.

(FIM).

Abraços,

Osório

POEMEMOS:

Monólogo da Chuva

Se chovia na noite em que nos vimos

e conversamos pela vez primeira ?

Chovia sim, e a cidade inteira

brilhava sob a chuva que caía...

A chuva, o frio, as luzes e o reflexo

daquela gente tonta no passeio,

tudo aumentava aquele meu receio

na onda de amor que me envolvia !

Se eu tremia na hora em que nos vimos,

num nervosismo incompreensível ?

Tremia sim,  mas era irresistível

a força que de ti me aproximava...

E quando caprichosa pelo asfalto

a chuva fez espelhos coloridos

eu disse com ternura aos teus ouvidos

que o teu encanto me enfeitiçava !

Se era verdade o que eu te confessava

de chofre como um grito inesperado ?

Verdade sim, eu nunca tinha amado

e disse o que pensava e o que sentia...

Sorriste e em teus olhos de repente

As meninas felizes me acenaram

refletindo meus olhos que brilharam

numa ventura que eu desconhecia !

Se juntos nós andamos pela noite

quando a chuva passou, sem ter destino ?

Andamos sim, e o teu rosto divino

eu afaguei com minhas mãos grosseiras...

O sol e a chuva nos brindaram sempre

com horas de perenes alegrias

até que terminaram nossos dias

de estima e confiança verdadeiras !

Se eu fiquei triste e só quando tentada

por um capricho ou por alguém talvez,

fugiste dos meus braços certa vez  ?

Eu fiquei sim. E por sinal chovia...

E a bendita chuva que te trouxe,

deixara de ser boa e te levara

enquanto nesta angústia me deixara

ilhado de saudade e de ironia...

Se eu te esqueci, agora que a lembrança

te prendeu no passado sem piedade ?

Esqueci sim. E se chega a saudade

já não me encontra com as mãos tão frias...

Teu vulto apagou-se na memória,

és uma sombra e não me fazes mal...

Agora, a chuva sim é um algoz fatal

que evoca a noite que estragou meus dias !

Autor: Aldemar Paiva, texto do livro MONÓLOGOS.

Fonte: http://www.plinn.com.br/amor/monologo/chuva.html.

 

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